Com a aprovação da exigência do diploma de curso de nível superior em jornalismo para exercício da função, ratificada pelo Senado, novos debates surgiram em torno do assunto. Qual a verdadeira importância de um diploma universitário? Ele seria realmente necessário para a profissão? É justamente desse assunto que Joseph Pulitzer fala em seu livro A Escola de Jornalismo. De maneira apaixonada e, ao mesmo tempo coerente, o jornalista americano disserta sobre os benefícios que um curso de nível superior pode trazer ao profissional e principalmente à sociedade.
A princípio, Pulitzer responde às críticas feitas ao seu projeto. Alguns críticos da época acreditavam que um jornalista deveria depender apenas de sua aptidão natural, tinha que “nascer feito”, não precisando dessa forma de um curso superior. Mas o autor, de forma brilhante, argumenta que toda a inteligência precisa de aperfeiçoamento. Ele cita o exemplo de Shakespeare, o qual escreveu a sua melhor peça depois de muito trabalho e de toda experiência adquirida com suas outras oito peças escritas anteriormente. Por fim, Pulitzer compara a experiência acadêmica a uma experiência militar. Ele declara que cada número de um jornal é uma batalha. Fala sobre Aníbal que, segundo ele, foi o maior de todos generais e também cita Napoleão, cuja preparação na academia Brienne fui de suma importância para o sucesso nos combates.
Outra crítica rebatida por Pulitzer é a de que todo o ensinamento necessário a um jornalista já seria dado nas faculdades existentes. Ele argumenta que, apesar de ser formulada de forma sincera, essa crítica é superficial. É verdade que muitas matérias essenciais para a formação geral de um jornalista já são lecionadas pelas universidades. Mas a forma excessivamente detalhada de cada uma delas acaba por prejudicar o ensino, já que nem tudo que é dado interessa à profissão. Ele acredita que seria necessário adequar essas matérias à necessidade do aluno.
Pulitzer apresenta também uma lista de assuntos que deveriam ser abordados e ensinados em um curso de jornalismo - O estilo, o Direito, a Ética, a literatura, verdade e precisão, História, Sociologia, Economia, Os Inimigos da República, Arbitragem, Estatística, Línguas modernas, Ciências físicas, o estudo dos jornais, o poder das idéias, princípios do jornalismo e por fim, as notícias.
Desses assuntos, posso destacar o estilo. O autor acredita que ao jornalista cabe equilibrar a individualidade do estilo à precisão, clareza, síntese e força, que dizem respeito a uma melhor redação jornalística. Além disso, existe a necessidade de um estilo diferente para cada tipo de trabalho – polemico, descritivo, analítico, literário, satírico, expositivo, crítico, narrativo, sendo que todos eles têm que ter algo em comum: o interesse público.
Outra matéria importante a ser estudada, segundo Pulitzer, é o estudo dos jornais. Uma análise profunda dos periódicos é de suma importância para o crescimento intelectual e profissional dos alunos, mostrando o melhor e o pior da matéria do dia e do jornal como um todo. Ele sugere também a participação de editores na apresentação de palestras como forma de enriquecer o conhecimento referente ao assunto.
Mas dentre todos os assuntos abordados por Pulitzer, as notícias foram as que menos receberam atenção. Ele chega ao ponto de alegar a falta de tempo para tratar do assunto a responsável pela pouca atenção dada ao item.
Por fim, ele fala sobre o objetivo supremo do jornalismo – o serviço público. Pulitzer apresenta o ótimo argumento de que o objetivo de sua faculdade será formar melhores jornalistas, que farão melhores jornais e que irão servir melhor a população.
Sem dúvida esse é o principal alvo a ser atingido pelo jornalista, servir a população como seu porta-voz e fiscalizador do poder público. Infelizmente muitos meios de comunicação priorizam interesses comerciais em detrimento desse objetivo.
Conclui-se que o livro A Escola de Jornalismo de Joseph Pulitzer é uma bela e honesta fonte de argumentação a favor de um jornalismo ético, de qualidade e que sirva com eficiência a sociedade, cumprindo com afinco seu papel.

