domingo, 18 de março de 2012

A Influência do Jornalismo na Sociedade


       Formador de opinião. Não existe título mais adequado para ele. Seu trabalho é capaz de impulsionar idéias, alavancar revoluções e até de destruir vidas. Alguns minutos ou até segundos do resultado de seu trabalho, podem causar estragos irreparáveis. Pior ainda se ele estiver errado. Esse é o jornalista.
       Vidas destruídas, famílias desestruturadas. Podem sim ser resultado de uma reportagem mal apurada, baseada em fontes não confiáveis. Talvez o caso mais conhecido seja o da Escola Base em 1994. Seus donos, Icushiro e Aparecida Shimada, foram acusados de pedofilia e suas vidas expostas na TV para todo o Brasil, apesar de nada ter sido provado, tendo inclusive, posteriormente, o inquérito referente ao caso arquivado. Mas as conseqüências do acumulo de erros, ligados às notícias divulgadas, provocaram feridas incicatrizáveis. A escola foi fechada, os donos desenvolveram problemas graves de saúde e suas imagens foram manchadas de forma permanente. Não há retratação ou notinha de errata que resolva facilmente o problema da difamação.
       Será que a busca incessante pela audiência está sufocando o senso de ética de nossa imprensa? Deseja-se o inusitado, não para informar, mas sim para alavancar os índices e atrair mais anunciantes. Quem garante que um anunciante do ramo imobiliário vai ficar feliz se alguma notícia negativa ligada aos seus negócios for divulgada? E o direito à informação, como fica? E a credibilidade do telejornal e do jornalista?
       Credibilidade. Essa é a palavra mágica. Item essencial para uma carreira de sucesso no jornalismo. Essa qualidade não se compra simplesmente, se conquista. Para possuí-la, é necessário um alto preço. O preço da ética, do bom senso na apuração dos fatos e na divulgação da notícia. O jornalista é um sentinela, um fiscalizador, aquele que investiga e denuncia as irregularidades que possam trazer consequências negativas para a população. Dessa forma, cabe ao jornalista exercer com veemência e sinceridade seu papel. A princípio, ser sincero consigo mesmo:  Por que ser jornalista? O que o estimulou a escolher a profissão? A fama e o glamour? Ou o desejo de ser o porta-voz da sociedade?  
       Que não se perca o foco: A bússola da imprensa deve ser a busca pela verdade. Uma investigação séria aliada a fontes confiáveis é o mínimo necessário para uma reportagem de qualidade, sem conseqüências negativas e injustas. Que vidas inocentes como as dos donos da Escola Base não venham a ser destruídas, pagando por erros de jornalistas descompromissados com a ética e a seriedade da profissão.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A Escola de Jornalismo de Pulitzer


       

Com a aprovação da exigência do diploma de curso de nível superior em jornalismo para exercício da função, ratificada pelo Senado, novos debates surgiram em torno do assunto. Qual a verdadeira importância de um diploma universitário? Ele seria realmente necessário para a profissão? É justamente desse assunto que Joseph Pulitzer fala em seu livro A Escola de Jornalismo. De maneira apaixonada e, ao mesmo tempo coerente, o jornalista americano disserta sobre os benefícios que um curso de nível superior pode trazer ao profissional e principalmente à sociedade. 

A princípio, Pulitzer responde às críticas feitas ao seu projeto. Alguns críticos da época acreditavam que um jornalista deveria depender apenas de sua aptidão natural, tinha que “nascer feito”, não precisando dessa forma de um curso superior. Mas o autor, de forma brilhante, argumenta que toda a inteligência precisa de aperfeiçoamento. Ele cita o exemplo de Shakespeare, o qual escreveu a sua melhor peça depois de muito trabalho e de toda experiência adquirida com suas outras oito peças escritas anteriormente. Por fim, Pulitzer compara a experiência acadêmica a uma experiência militar. Ele declara que cada número de um jornal é uma batalha. Fala sobre Aníbal que, segundo ele, foi o maior de todos generais e também cita Napoleão, cuja preparação na academia Brienne fui de suma importância para o sucesso nos combates. 

Outra crítica rebatida por Pulitzer é a de que todo o ensinamento necessário a um jornalista já seria dado nas faculdades existentes. Ele argumenta que, apesar de ser formulada de forma sincera, essa crítica é superficial. É verdade que muitas matérias essenciais para a formação geral de um jornalista já são lecionadas pelas universidades. Mas a forma excessivamente detalhada de cada uma delas acaba por prejudicar o ensino, já que nem tudo que é dado interessa à profissão. Ele acredita que seria necessário adequar essas matérias à necessidade do aluno. 

Pulitzer apresenta também uma lista de assuntos que deveriam ser abordados e ensinados em um curso de jornalismo - O estilo, o Direito, a Ética, a literatura, verdade e precisão, História, Sociologia, Economia, Os Inimigos da República, Arbitragem, Estatística, Línguas modernas, Ciências físicas, o estudo dos jornais, o poder das idéias, princípios do jornalismo e por fim, as notícias. 

Desses assuntos, posso destacar o estilo. O autor acredita que ao jornalista cabe equilibrar a individualidade do estilo à precisão, clareza, síntese e força, que dizem respeito a uma melhor redação jornalística. Além disso, existe a necessidade de um estilo diferente para cada tipo de trabalho – polemico, descritivo, analítico, literário, satírico, expositivo, crítico, narrativo, sendo que todos eles têm que ter algo em comum: o interesse público. 

Outra matéria importante a ser estudada, segundo Pulitzer, é o estudo dos jornais. Uma análise profunda dos periódicos é de suma importância para o crescimento intelectual e profissional dos alunos, mostrando o melhor e o pior da matéria do dia e do jornal como um todo. Ele sugere também a participação de editores na apresentação de palestras como forma de enriquecer o conhecimento referente ao assunto. 

Mas dentre todos os assuntos abordados por Pulitzer, as notícias foram as que menos receberam atenção. Ele chega ao ponto de alegar a falta de tempo para tratar do assunto a responsável pela pouca atenção dada ao item. 

Por fim, ele fala sobre o objetivo supremo do jornalismo – o serviço público. Pulitzer apresenta o ótimo argumento de que o objetivo de sua faculdade será formar melhores jornalistas, que farão melhores jornais e que irão servir melhor a população. 

Sem dúvida esse é o principal alvo a ser atingido pelo jornalista, servir a população como seu porta-voz e fiscalizador do poder público. Infelizmente muitos meios de comunicação priorizam interesses comerciais em detrimento desse objetivo. 

Conclui-se que o livro A Escola de Jornalismo de Joseph Pulitzer é uma bela e honesta fonte de argumentação a favor de um jornalismo ético, de qualidade e que sirva com eficiência a sociedade, cumprindo com afinco seu papel. 


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A Sangue Frio


   Por Wanderley Silva
       “Ser um artista o separa das coisas em geral. A mente está trabalhando em um ritmo mais rápido, mais sensível, com mais rebatidas do olho, do que a maioria das pessoas. A maioria das pessoas, digamos, têm a percepção de dez por minuto, enquanto que um artista tem de sessenta a setenta percepções por minuto. Honestamente, eu acho que é a razão pela qual tantos escritores bebem ou tomam calmantes ou qualquer coisa: para se acalmar, aquietar a máquina contínua que os põe em execução.” Essa frase resume bem Truman Capote. Escritor genial e polêmico, que foi o responsável por um dos maiores sucessos da literatura americana: A Sangue Frio.
       Mas o que essa obra tem de tão especial? Na verdade, através dela, Capote inaugurou um novo gênero: o romance de não-ficção. Baseado em uma notícia lida no New York Times sobre um assassinato em série ocorrido no Kansas, o livro custou a Capote seis anos de sua vida. 
       O livro inicia com a descrição da cidade de Holcomb e de seus habitantes. Sotaque, jeito de se vestir, arquitetura das casas, além de prédios existentes no local, como uma danceteria e um banco que não funcionam mais, são descritos minuciosamente. Esses detalhes permitem ao leitor ambientar-se ao lugar que servirá de pano de fundo à boa parte da história.
       Logo em seguida, somos apresentados a família Clutter. Primeiro ao Sr Clutter: um homem de altura mediana, ombros largos e queixo quadrado, que possuía grande influência na região. Aos poucos vamos conhecendo os outros integrantes da família e, com o decorrer das descrições, temos a impressão de estar sendo preparados para o que irá ocorrer mais adiante.
       Mas os personagens que mais se destacam na história são justamente os dois assassinos, Perry e Hickock. Paulatinamente vamos descobrindo detalhes sobre eles, primeiramente, físicos e em seguida, sobre suas famílias, seus traumas de infância, manias e vícios. Em uma dessas descrições, o autor comenta trechos do diário que Perry escreveu enquanto aguardava julgamento na prisão. Informações importantes relativas ao crime são reveladas, como quando ele confessa que matou sozinho os quatro integrantes da família Clutter. É interessante como os criminosos despertam no leitor sentimentos de repulsa e empatia. O relato de suas ações, a princípio, da execução do crime e, logo depois, de suas infâncias e/ou convivência problemática no seio familiar, talvez seja um dos responsáveis por provocar de maneira paradoxal esses sentimentos no leitor.
        Uma análise psicológica profunda é feita sobre os acusados, através do depoimento de uma testemunha de defesa, o Dr. W. Mitchell Jones, médico especialista em psiquiatria. A fala do psicólogo limitou-se a sim e não, já que a lei do Kansas só permitia esse tipo de resposta para uma pergunta pertinente, levando o autor a discorrer sobre o que Mitchell teria dito sobre Perry e Hickock se tivesse recebido autorização. Depois de uma análise consistente dos acusados, Capote mostra também um artigo publicado no The American Journal of Psychiatry de julho de 1960, cujo autor, o Dr. Joseph Satten, descreve um tipo específico de assassino que, apesar de ser considerado são e racional, comete atos homicidas bizarros e aparentemente desprovidos de sentido. Satten enquadra Perry Smith nesse perfil. A impressão que temos é que Capote, através de todas essas análises psicológicas, aliadas aos flashbacks da infância de Perry, tenta explicar ou até justificar a atitude dos acusados.
       Mas A Sangue Frio não se limita apenas ao ponto de vista de Perry e Hickock. O autor nos mostra uma pluralidade de perspectivas e visões de diferentes personagens, resultado da longa jornada de entrevistas realizada por Capote. Informações sobre alguns moradores da cidade e também sobre os investigadores do caso acabam enriquecendo a obra e dando a ela mais credibilidade.
       No que diz respeito à narrativa, apesar de Capote ter presenciado muito do que foi dito no livro, chegando a adquirir uma relativa amizade com Perry, percebe-se um esforço considerável de sua parte para acompanhar os personagens como um simples espectador, evitando assim, comentários e juízos de valor. Ele praticamente não interfere e nem participa de forma clara na história, apesar de sabermos que ele estava presente em algumas situações.
       O livro, apesar de ter como história principal o assassinato dos Clutter e a trajetória dos criminosos, mostra também detalhes de outros crimes cometidos por pessoas que, assim como Perry e Hickock, estavam aguardando no mesmo corredor da morte suas execuções. A princípio, somos apresentados a Earl Wilson, um negro forte, condenado à morte pelo rapto, estupro e tortura de uma jovem branca. Logo em seguida, conhecemos também Bobby Joe Spencer, um jovem homossexual que confessou o homicídio de uma velha senhora de Kansas City e que, tempos depois, matou na prisão um dos presos por ciúme. Por fim, Capote destrincha a impressionante e não menos brutal história de Lowell Lee Andrews, um jovem que assassinou à tiros seus pais e sua irmã, crime esse que chocou os EUA em virtude da frieza do acusado.
       Mas um momento na história que choca bastante, além do relato de Perry sobre como praticou os assassinatos, é quando o autor descreve as execuções dos acusados. São impressionantes e assustadores os detalhes contados por Capote já que, segundo pesquisadores, ele estava presente – pelo menos na execução de Hickock.
       Outros autores também foram influenciados por Truman Capote e seu gênero de romance não-ficção, como os americanos Norman Mailer e Gay Talese. No Brasil, em 2007, o jornalista e escritor Guilherme Fiusa publicou em formato de thriller a biografia de João Guilherme Estrella, intitulada Meu Nome Não É Johnny. Estrella foi um jovem de classe média alta da Zona Sul carioca que se tornou um traficante de drogas nos anos 90. Percebe-se claramente a influencia do escritor americano nessa obra que, pouco depois, se tornou um filme.
       Por fim, é importante observar que, A Sangue Frio, além de tornar Capote muito rico, provocou ironicamente sua decadência. Com muito dinheiro e cercado de luxo, foi um assíduo freqüentador de festas. Viciou-se em álcool e em drogas, e com o tempo começou a produzir menos obras. Morreu em 1965, em Los Angeles, prestes a completar 60 anos, deixando uma obra que marcou a história da literatura e do jornalismo mundial.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Janela indiscreta - O Reality Show de Hitchcock


Direção: Alfred Hitchcock
Roteiro: John Michael Hayes e Cornell Woolrich
Elenco: James Stewart, Grace Kelly, Thelma Ritter e Wendell Corey
Gênero: Suspense
Origem: Estados Unidos
Duração: 112 minutos


Apesar de sua estréia ter sido há mais de cinqüenta anos, Janela indiscreta, de Alfred Hitchcock, revela-se bastante atual, se comparado aos reality shows contemporâneos. A clássica curiosidade humana de observar a vida alheia, através de fechaduras ou janelas, tem sido um negócio bem lucrativo para as grandes empresas de comunicação. Apoiado basicamente na mesma idéia, Hitchcock nos concede um filme inteligente, cujo suspense acontece de forma sutil e gradual, bem diferente das películas atuais do mesmo gênero. A história gira em torno de Jeff (James Stewart), um fotógrafo profissional que se vê obrigado a ficar o dia inteiro em seu apartamento, devido a um grave acidente de trabalho. Inerte numa cadeira de rodas, ele passa a observar de sua janela a vida dos vizinhos, através de sua câmera. Aos poucos, o que era um simples passatempo, se torna uma obsessão. Até que um dia, Jeff começa a suspeitar que seu vizinho assassinou a própria esposa e escondeu o corpo no jardim. A partir daí, com a ajuda da noiva Lisa (Grace Kelly), o fotógrafo tenta a todo custo provar que o crime realmente aconteceu. Indiscutivelmente, Janela indiscreta está entre os melhores filmes de Hitchcock. Ele consegue, de forma singular e convincente, prender a atenção do expectador, através de um tema atual e ao mesmo tempo polêmico. Por meio dele, o mestre do suspense nos faz refletir sobre a invasão da privacidade alheia e suas inevitáveis conseqüências.

sábado, 7 de maio de 2011

Dogville: polêmico


Dogville é um filme interessante, inovador. A começar pela cenografia, limitada a linhas traçadas no chão. Dessa forma, chega a ser cansativo aos olhos de quem está acostumado às grandes produções hollywoodianas, cheias de efeitos especiais e cenários grandiosos. Mas justamente a ausência de cenários somada a alguns poucos objetos de cena, fazem do filme uma obra curiosa e provocante. Com ótimo roteiro, retrata de forma singular o homem e sua essência, por vezes egoísta, interesseira e invejosa. A passagem de Grace por Dogville mostra de maneira precisa e gradual o desabrochar dessas características humanas, provocando no espectador uma estranha e incomoda sensação de familiaridade com algumas delas.


Contos de Nova York

Lançado em 1989, o filme tem como tema central a cidade de Nova York. Consiste em três curtas dirigidos por grandes nomes como Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Wood Allen. A princípio, é bem interessante a idéia de unir em um mesmo projeto grandes diretores. O problema é que nem todos convencem. Em Lições de Vida, Scorsese consegue prender a atenção do expectador ao contar a estória de um pintor e sua obsessão por sua assistente. É inspiradora a junção de imagem e música em algumas cenas. Já A Vida Sem Zoe, de Coppola, não consegue empolgar. A estória da garota que mora em um hotel longe dos pais chega a ser enfadonha. Por fim, Édipo Arrasado, de Woody Allen, mostra-se um conto inteligente e divertido. Considero o melhor dos três. Além de bom roteiro, apresenta atuações convincentes. Analisando o filme como um todo, concluo que, apesar de alguns pontos positivos, a alternância entre bons e maus momentos faz de Contos de Nova York um filme regular.

Crônica de um chute

Espanha. Final de campeonato, estádio lotado. O jogador pega a bola, ajeita com carinho. Seus batimentos aceleram. Um gol. Apenas um para sacramentar a conquista do título! Apenas um para fazer dele herói ou vilão. Concentração. A multidão silencia. Câmeras se posicionam para registrar o momento histórico. Ele respira fundo, dá dois passos para trás, corre e...
Morava em uma comunidade pobre no Brasil, sem saneamento básico e com altos índices de violência. Perdeu muitos amigos para o tráfico, inclusive o pai. Sua mãe tentava sustentar a casa fazendo faxinas, mas nem sempre havia serviço. Cedo, precisou trabalhar. Fazia de tudo: lavava carros, engraxava sapatos. Aprendeu a fazer malabarismo com fogo e, para ganhar uns trocados, apresentava-se em alguns sinais da cidade.
Como qualquer criança, tinha seus ídolos. Os dele, não eram super-heróis, nem astros do cinema, mas grandes nomes do futebol. Zidane, Ronaldo, eram ícones que povoavam sua mente. A bola era sua grande paixão e nos finais de semana, no campinho da comunidade, o garoto mostrava seu talento driblando e marcando gols. Tinha muitos sonhos, entre eles, ser um grande jogador e ganhar muito dinheiro.
E chegou seu dia. Depois de passar por um peneirão desses de bairro e fazer alguns testes em um clube da capital, conseguiu ser aprovado. Como que por um milagre, sua vida começou a mudar. Sagrou-se campeão pelo time de juniores. Bastante elogiado pela crítica esportiva, logo entrou para o time principal. Em seu primeiro jogo como titular, marcou um golaço! Em pouco tempo se tornou ídolo no clube. A cada lance, a cada drible ou gol marcado era ovacionado.
Começaram a surgir propostas de outros clubes, inclusive da Europa. Depois de muita negociação, foi vendido ao Real Madrid. Parecia um sonho jogar ao lado de grandes nomes do futebol mundial. Mas era realidade. A estrela do garoto pobre brilhara mais uma vez! Naquele ano, seu time fez uma belíssima campanha e ele foi considerado o melhor do campeonato.
Passou o tempo. Foram muitas vitórias, muitos títulos, mas daquele menino simples pouco restou. Ele agora era ídolo na Espanha. A fama e a riqueza fizeram dele um homem arrogante e presunçoso. Tinha tudo o que o dinheiro podia dar: belas mulheres, os melhores carros, mas algo lhe faltava...
Hoje, ele está em mais uma final. Após uma campanha brilhante, basta um empate para levantar a taça. O jogo começa. Descuido. Seu time leva um gol logo no início. Eles vão pra cima: bolas na trave, bolas tiradas em cima da linha e nada. O gol não sai. 46 do segundo tempo. O árbrito olha para o relógio, último lance. O jogador entra na área e é derrubado: pênalti! A torcida vai ao delírio!  Discussões, empurra-empurra, enfim, não tem jeito. Como um guerreiro que empunha sua espada para dar um golpe mortal no inimigo, ele pega a bola. Ajeita com cuidado, se posiciona. Silêncio total. O árbrito autoriza. Ele dá dois passos para trás, fixa o olhar na bola, corre e chuta! Feito um tiro a bola vai... Segundos que parecem uma eternidade. Ele torce, torce e... NA TRAVE! Caprichosamente na trave! Apito final. Ele desaba. O sonho se transforma em pesadelo. O mocinho vira bandido.
Silêncio no vestiário, jogadores desolados e ele... Perplexo.
Parado frente ao espelho, olha seu reflexo e percebe o quanto mudou. A riqueza e a fama o fizeram pensar que era invencível, que no campo ou na vida nunca seria derrotado. Mas agora ele percebe que perder também faz parte do jogo. Que na derrota é que se percebe o quanto somos frágeis e inconstantes.

                                                                                                                                 Wanderley A.Silva