Formador de opinião. Não existe título mais adequado para ele. Seu trabalho é capaz de impulsionar idéias, alavancar revoluções e até de destruir vidas. Alguns minutos ou até segundos do resultado de seu trabalho, podem causar estragos irreparáveis. Pior ainda se ele estiver errado. Esse é o jornalista.
Vidas destruídas, famílias desestruturadas. Podem sim ser resultado de uma reportagem mal apurada, baseada em fontes não confiáveis. Talvez o caso mais conhecido seja o da Escola Base em 1994. Seus donos, Icushiro e Aparecida Shimada, foram acusados de pedofilia e suas vidas expostas na TV para todo o Brasil, apesar de nada ter sido provado, tendo inclusive, posteriormente, o inquérito referente ao caso arquivado. Mas as conseqüências do acumulo de erros, ligados às notícias divulgadas, provocaram feridas incicatrizáveis. A escola foi fechada, os donos desenvolveram problemas graves de saúde e suas imagens foram manchadas de forma permanente. Não há retratação ou notinha de errata que resolva facilmente o problema da difamação.
Será que a busca incessante pela audiência está sufocando o senso de ética de nossa imprensa? Deseja-se o inusitado, não para informar, mas sim para alavancar os índices e atrair mais anunciantes. Quem garante que um anunciante do ramo imobiliário vai ficar feliz se alguma notícia negativa ligada aos seus negócios for divulgada? E o direito à informação, como fica? E a credibilidade do telejornal e do jornalista?
Credibilidade. Essa é a palavra mágica. Item essencial para uma carreira de sucesso no jornalismo. Essa qualidade não se compra simplesmente, se conquista. Para possuí-la, é necessário um alto preço. O preço da ética, do bom senso na apuração dos fatos e na divulgação da notícia. O jornalista é um sentinela, um fiscalizador, aquele que investiga e denuncia as irregularidades que possam trazer consequências negativas para a população. Dessa forma, cabe ao jornalista exercer com veemência e sinceridade seu papel. A princípio, ser sincero consigo mesmo: Por que ser jornalista? O que o estimulou a escolher a profissão? A fama e o glamour? Ou o desejo de ser o porta-voz da sociedade?
Que não se perca o foco: A bússola da imprensa deve ser a busca pela verdade. Uma investigação séria aliada a fontes confiáveis é o mínimo necessário para uma reportagem de qualidade, sem conseqüências negativas e injustas. Que vidas inocentes como as dos donos da Escola Base não venham a ser destruídas, pagando por erros de jornalistas descompromissados com a ética e a seriedade da profissão.

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